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Dia Mundial do Livro . 23 Abril 2009

23-04-2009 14:52:00
















DIA MUNDIAL DO LIVRO 23. Abril.2009




Um Farol só Meu



No Dia Mundial do Livro, o Jardim de Infância dos Girassóis, em Caxinas, recebeu uma visita muito especial – “Um Farol só Meu”. Com este livro, veio também o seu autor e ilustrador, o vilacondense Francisco Cunha, e dois elementos da equipa do Ciência Viva!


As crianças tiveram oportunidade de fazer perguntas ao autor e de fazer desenhos num mural, transmitindo a sensibilidade de cada um, após a leitura do livro.


A manhã só terminou quando experimentaram entrar numa câmara escura e, na ausência de luz, não conseguiam ver nada!!! Exploraram, também, a decomposição da luz branca, através da realização de uma actividade prática simples.


Este “Farol de Amor”, apelidado por uma das crianças, ficará na memória de todos…








Um farol só meu




Se vieres a minha casa, da janela do meu quarto verás o mar, a praia e muitos barcos.

Um deles, o mais bonito, é o do meu papá. O meu papá é pescador.

Quando o meu papá regressa, traz sempre muito peixe, e a minha mamã apressa-se para o ir logo vender. – “As pessoas gostam de peixe fresquinho” -, diz ela.

Na sala, debaixo do quadro com os nós, está a minha fotografia preferida: o meu papá, a minha mamã, e eu no meio.

Por vezes, o meu papá parte durante vários dias, quando o peixe está muito longe, e eu sonho com o mar.

Às vezes são sonhos feios em que o mar está mau, e o meu papá está sozinho no barco… Eu acordo com muito, muito medo.

Hoje foi uma dessas noites; fui a correr ter com a minha mamã e contei-lhe o meu sonho mau. A minha mamã falou-me dos faróis, como eles ajudam os pescadores, e deu-me um livro para ver, com muitas imagens de faróis.

Eu acho que ela também tem medo.

Passei muito tempo a ver todas aquelas imagens: faróis grandes, faróis pequenos, faróis coloridos…

Vocês sabiam que há pessoas que vivem em faróis? Eu gostava de viver num farol, para ajudar o meu papá a vir para casa.

Já sei! Vou construir eu mesma um farol! O maior e o mais alto farol do mundo! Pedirei ajuda aos meus brinquedos preferidos e vamos trazer de volta o meu papá.

Os brinquedos ficaram contentíssimos com a novidade, mesmo o Ronaldo, o meu preguiçoso pato amarelo.

Incansáveis, durante horas arrastámos e sobrepusemos os cubos de madeira que me foram dados pela tia Joaninha. Já estava tão alto que saía pela janela.

Subi… Subi… Passei pelas nuvens, e continuei a subir até chegar perto da estrela mais brilhante, aquela que a mamã disse que era só para mim…
Pedi-lhe para se sentar ao meu colo e ajudar-me. Ela sentou-se, e ajudou-me.

Estava agora em cima do meu farol, com a minha estrela ao colo.

Por muito longe que estivesse o meu papá, por muito escuro que fosse… Não poderia deixar de ver a minha luz, o farol que eu tinha construído só para ele.

Se hoje o meu papá chegar a casa, da janela do meu quarto verá o mar, a praia, e muitos barcos de pesca… E o meu farol de amor.


Francisco Cunha















































































































































































































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